Quando regressares à casa que hoje abandonas, apenas o seu espaço restará. Eu já terei partido, inspirado num outro amor que não o teu. Em cada murmúrio que desrespeitaste, eu senti-te dentro de mim, embora tu, ao abrigo de uma incompatibilidade inexistente e que só na tua cabeça ganhava sentido, vezes sem conta rejeitaste o corpo que te albergava em surdina. Por cada murmúrio que desrespeitaste, deveria castigar-te. Mas ao invés de o fazer, vou só esperar que regresses a casa, como se nunca me tivesses abandonado. Quando o fizeres, já terei partido. Restará apenas o espaço: e a saudade.
Excerto do blog "Cartas a Mónica", escrito por Paulo Ferreira


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