Lanço-te beijos, como quem atira flores ao chão debaixo de teus pés – fagulhas incandescentes que se perdem no céu negro da noite, onde exaustos repousamos. Debruço-me sobre ti, largo-te um beijo sobre o rosto, percorrendo com a minha respiraçao os teus olhos nariz boca pescoço. Nas notícias das oito, dizem que- Hoje vai haver uma chuva de estrelas.A comunidade científica e orgãos de comunicação social ignoram a verdadeira causa daquilo que chamam de fenómeno astronómico ímpar: não sabem que aquilo que os fará estar toda a noite em branco é apenas as tuas lágrimas que, evaporadas do teu rosto subiram aos céus, onde agora, em estado gososo, ameaçam riscar o céu de luz. Vais já dizer que sou eu o causador dessas lágrimas, já sei. Que bem sei em que frágil estado tu estás e que uma vez mais não tive atenção a isso. Eu vou calar-me e tu vais insistir neste ponto. Vais ensair o número do choro e eu vou sentir-me abatido.Mas em bom rigor, face a tudo, mesmo temendo que te lances num pranto, apetece-me ignorar o sal que te escorre pelas faces abaixo e, olhos nos olhos, ao invés de me culpar, sinto-me impelido a afirmar, quase com orgulho, que esta deve ser a primeira vez que me imputas as responsabilidades de algo belo. E isso, não sei muito bem porquê, faz-me sentir mais humano.
(Excerto do blog "Cartas a Mónica", escrito por Paulo Ferreira)


1 Comentários:
Agradeço, e acreditem que muito, a referência. Abraços, Paulo Ferreira (www.alquimiasubmersa.blogspot.com)
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