13 junho, 2005



"Ama-me. - soluçou ela estendendo-lhe o coração. As mãos dispostas em concha, trémulas, os olhos tristes, líquidos, o leve mordiscar nervoso do lábio inferior, o impaciente bater do pé esquerdo no chão. Toda ela fervia na ansia da sua resposta, da sua primeira palavra, do seu primeiro gesto. Ele era gelo, o seu rosto uma lápide cinza, pedra fria onde apenas estava gravado o silêncio incómodo que lhe ecoava no peito vazio. Fechou os olhos, baixou ligeiramente a cabeça e abriu-lhe a mão esquerda; nela, escritas a esferográfica encarnada, escondiam-se dez letras, três palavras, uma frase. Não sei amar."

(Retirado do Blog Caneta Sem tinta)

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