
Por ti
Rasguei do mundo os horizontes
E lavreiAgras searas de paixão.
Por ti
Corri vales, subi montes
E sofri
De mil tormentos solidão.
Por ti
Deixei de ser tudo o que era,
Para poder
Alcançar o amor teu.
Por ti
Fiz do Inverno Primavera
E consumava até
A tragédia de Romeu.
Por ti
Deixei de ser rei do meu trono
E fui escravo submisso
Do teu querer.
Por ti
Deixei meu ser ao abandono,
Pelo medo
De algum dia te perder.
Por ti
Voltei de novo a ser menino,
Seguindo cegamente
Os teus anseios.
Por ti
Fui constante peregrino,
Cruzando o teu caminho
Sem receios.
Por ti
Espalhei círios para atear
As chamas do amor
Dos nossos beijos.
Por ti
Foi sempre sim,
Sem hesitar
À mais pequena voz
Dos teus desejos.
Euclides Cavaco


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