23 janeiro, 2005

Paixao virtual

A paixão virtual é um estado alterado de consciência, em que a pessoa concentra suas energias numa fantasia. Apaixona-se pelo sentimento, pela felicidade, pelo sonho, muito mais do que pela pessoa real.

Na paixão não se vê os defeitos ou os problemas referentes ao ser amado, vê-se apenas o estado de graça, o prazer. Principalmente nesses casos de paixão virtual, as pessoas apaixonam-se mais por si mesmas, pela sua capacidade de seduzir e se envolver, do que pelo outro. Não estando em contacto directo com o amado, a paixão que acontece é apenas um reflexo : "eu me apaixono por estar apaixonado", "eu me apaixono por uma sensação" em oposição a "eu me apaixono por uma pessoa".

A sensação principal que leva a esse sentimento de paixão virtual é o desejo da aceitação. Ama-se aqueles que nos aceitam e nos tratam bem. Ama-se a sensação de ser bem tratado. Não importa a idade, a aparência física, os defeitos ou dificuldades que o outro tenha na vida quotidiana: só o que importa são os momentos de prazer quando se está em contacto, seja através de mensagens ou de chat. E essas paixões, por existirem apenas no mundo da fantasia, se tornam N vezes ainda mais fortes que nas relações reais, uma vez que só se vê no outro e só se mostra o que se quer.

Virtualmente, não existem pessoas feias. Basta ser simpático, já que nossa imaginação transforma o outro em bonito, agradável, sensual. A sensualidade está nas palavras, não nas atitudes reais. Todas as mulheres são bonitas e todos os homens são carinhosos e sensuais, porque isto é o que buscamos no outro. É por essa imagem que acontece a paixão. Apaixona-se pelo que o outro " aparenta ser", não pelo que é. E, através da comunicação virtual, é muito mais fácil preservar o ego, mostrar apenas o que se decide mostrar. Apenas o convívio desmascara. E aí, quando as máscaras caem, é que se conhece a verdadeira pessoa e podem acontecer as desilusões. A diferença fundamental com os encontros reais é que é possível manter a imagem por mais tempo.

Por outro lado, os encontros virtuais são muitas vezes tão intensos, podem ser tão ricos, que depois de alguns dias de contacto entra-se geralmente numa intimidade que a maioria das pessoas não se permite nos contratos pessoais.

O facto de as pessoas não se exporem visualmente facilita ainda mais a abertura das emoções. Ao contrário dos encontros pessoais, em que a espontaneidade conta muito, nas mensagens via Internet a pessoa pode repensar suas palavras, usar citações de poesias ou elaborar o texto para surtir maior efeito. A máscara, inevitavelmente, se forma. Mas, ao contrario da vida real, em que a aparência física é o principal chamariz e só tem contacto com o intelectual, depois com o emocional e afectivo... e só depois n vezes, com o físico. Nas relações virtuais as pessoas buscam e encontram companhia, cumplicidade, carinho, não importa muito o sexo ou condição económica do interlocutor.

Os limites físicos (corporais e de distância) não existem. É o local onde almas gémeas" se encontram, onde se abrem as emoções, onde se encontra sempre carinho e aceitação. Nunca foi tão fácil se aproximar das pessoas. As "amizades" surgem de um dia para o outro, basta estar-se aberto para elas.

Nem tudo são flores, no entanto. Algumas pessoas se aproveitam do anonimato para criar um personagem, ou seja, mostrar-se diferente do que é. Esse diferente nem sempre quer dizer uma mentira: muitas vezes a pessoa se mostra como gostaria de ser, mostra um lado seu reprimido. O tímido se transforma em eloquente, o feio em gala, o velho em jovem, o gordo em elegante. Embalada pela fantasia, a pessoa vende uma imagem ideal, a qual, enquanto está travestido, chega a acreditar ser. Esse, acaba se tornando o principal motivo das decepções no momento do encontro pessoal: cria-se uma expectativa de que o outro seja aquilo que mostra, e essa imagem nem sempre corresponde r realidade. Essa imagem ideal também pode ruir antes do contacto pessoal, por causa de uma fofoca, ou de pequenos problemas de relacionamento on-line. O problema maior, em geral, não está na pessoa que transmite sua imagem, mas na que gera falsas expectativas.
(Autor Desconhecido)

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