15 janeiro, 2010

Labirinto

"Hoje olhei para cima e vi uma imagem diferente das que vejo todos os dias, o sol embebedou as nuvens do céu com cores do entardecer e o calor que se propagava entre o sopro dos ventos cobria o teu corpo, eu via a tua expressão facial, uma sensibilidade à luz que toma o todo.
Enquanto conversava os teus lábios dançavam para os meus olhos, a minha noção não estava ali, não ouvia a tua voz e não entendia as tuas palavras, apenas queria ver-te gesticular. No silêncio desta ilusão tu dançavas um balé apaixonado, nas tuas curvas eu via um brilho soltar como areia prateada, o sorriso que por vezes respondi sem nem saber porquê, era uma canção; fartura de beleza e perfeição. As tuas mãos firmes e dedos de plantações de eucalipto acariciam o meu rosto; sinto o frescor de um carinho sincero e doce.
Esse silêncio inquieto de imagens cobertas pela tua presença estará dentro da minha alma, pregada a marteladas de beijos no meu espírito. Assim posso perceber que não há como passar, nem fugir, porque está aqui em cada suspiro, em cada sonho que embala o meu adormecer. É um sentimento inconsolado, insaciável, inesgotável, é a riqueza dos minerais, é a vida transcrita em molhados lábios, em cada pedaço de ti, tem o meu desejo de estar sempre ao teu lado, é a emoção e o querer mais profundo, a dor de uma violenta borboleta a usurpar o pólen das flores e o aterrorizante grito dos pássaros.
Tu és o caminho e a estrada, leva-me ao desconhecido, não quero voltar, flutuarei nos teus beijos e estarei em terra firme quando me encontrares com o teu corpo. E quando acordar estarei a viver um sonho..."
(Desconheço o autor)

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial