Quando a chuva cai
Quando tudo fica quieto sob um rumor dançante
E um milhão de palavras se atropela em silêncio,
Onde habita e vibra a esperança.
Então calo e sinto
E escuto em todo o corpo,
Que algum dia esta chuva cairá em outros rostos,
Dançará em outros telhados,
Chamará às janelas de uns homens mais livres,
De outras mentes mais altas.
E então, tu e eu,
Um pouco mais velhos,
Límpidas as consciências de amargas lembranças,
Veremos crescer nossos rostos jovens
Com os olhos mais puros que as gotas de chuva,
Com as almas mais novas que as flores e a água.
Agora, então, pensa.
Não culpes o meu silêncio.
Não é mais que o desolado latejar da esperança.
Não é mais que este silêncio de mil palavras.
Valério Gonzalez (traduzido por Fedra, 1997)


